Pode! O torcicolo muscular congénito é mesmo isso: uma deformidade do pescoço que aparece no bebé ainda durante a gravidez. No entanto, nem sempre é evidente ao nascimento. O mais habitual é que seja detetado gradualmente e mais tarde, muitas vezes já próximo do mês de vida.
Os pais, às vezes, apercebem-se que o bebé fica sempre com a cabeça na mesma posição, como se tivesse sempre a olhar para o mesmo sítio. A posição típica é a cabeça inclinada para um lado (mais frequentemente para a direita) com o queixo virado para o outro ombro. Mas nem sempre é assim tão evidente – nos casos mais ligeiros, apenas a pediatra deteta que não se consegue rodar a cabeça do bebé para os dois lados de forma igual.
Porque acontece? Não se sabe ao certo… 🤷🏻♀️ Pode estar relacionado com “falta de espaço” ou pouco líquido no útero, mas também acontece quando estes fatores não estão presentes! O músculo esternocleidomastoideu (sim… aquele do filme do “Evaristo, tens cá disto?” 😂) fica mais rígido e com menor mobilidade, impedindo que o pescoço mexa livremente.
O torcicolo muscular congénito resolve com alguns meses de fisioterapia. O objetivo vai ser contrariar de forma MUITO suave o torcicolo para que aquele músculo (o do nome comprido!) vá ficando com maior elasticidade e mobilidade. Existem alguns exercícios que os pais aprendem a fazer em casa – coisas tão simples como alterar o posicionamento do bebé no berço ou brincar e falar com o bebé do lado contrário ao que ele naturalmente vira a cabeça.
Quanto mais cedo for iniciado os exercícios/fisioterapia, mais rapidamente o torcicolo do bebé vai melhorar!
E resolvi falar disto aqui porquê? Três motivos:
1) para estarem atentos ao bebé – se tiverem dúvidas se existe alguma assimetria na posição ou mobilidade da cabeça, falem com o pediatra;
2) para se habituarem a pegar no bebé e brincar com ele em várias posições para o obrigar a mexer a cabeça e pescoço em todas as direções;
3) e para saberem que o torcicolo tem solução quando é tratado por quem sabe e tem experiência em bebés! 😉
